O Salão Automóvel de Detroit 2026 (North American International Auto Show), realizado este mês na chamada “capital do automóvel”, marcou uma mudança clara de rumo na indústria automóvel global. Depois de vários anos com foco quase exclusivo na eletrificação total, 2026 ficou marcado pelo regresso ao pragmatismo, com os motores de combustão a voltarem ao centro das atenções.
O regresso da gasolina e o “travão” nos elétricos
Ao contrário das edições anteriores, o cheiro a gasolina voltou a dominar os pavilhões. O abrandamento da procura por veículos 100% elétricos, aliado ao fim de alguns incentivos fiscais nos Estados Unidos, levou os grandes construtores — Ford, General Motors e Stellantis — a reajustarem a estratégia.
O destaque foi para modelos híbridos e para motores de combustão interna (ICE) de elevada performance. Picapes com motores V8 e SUVs de grande porte voltaram a ocupar o centro do palco, numa abordagem mais realista à transição energética, agora claramente orientada para a rentabilidade imediata.

Vencedores do Carro do Ano na América do Norte 2026
Um dos momentos altos do salão foi a entrega dos prestigiados prémios North American Car, Truck and Utility Vehicle of the Year:
- Carro do Ano: Dodge Charger
Destacado pela sua versatilidade, conciliando o músculo tradicional americano com soluções modernas. - Pickup (Carrinha) do Ano: Ford Maverick Lobo
Uma versão mais desportiva e urbana da popular picape compacta. - SUV do Ano: Hyundai Palisade
Reconhecido pelo equilíbrio entre conforto familiar, luxo e tecnologia híbrida.
Ford e Red Bull assinalam parceria na Fórmula 1
A Ford aproveitou o salão, em plena “casa”, para protagonizar um dos momentos de marketing mais fortes do evento, ao apresentar o monolugar para a temporada de Fórmula 1 de 2026.
Com a nova parceria Ford–Red Bull Powertrains, Max Verstappen marcou presença para revelar o carro que simboliza o regresso oficial da marca americana à categoria máxima do automobilismo, já sob o novo regulamento técnico de motores.
Mais experiência, menos exposição estática
O Salão de Detroit consolidou a tendência de deixar de ser apenas uma mostra estática de veículos para se transformar numa experiência automóvel imersiva.
Foram montadas pistas internas para testes de aceleração de veículos elétricos, bem como percursos de obstáculos destinados a demonstrar as capacidades off-road de modelos da Jeep e da Ford.
Houve ainda uma nova área dedicada ao campismo e aventura fora de estrada, com foco em acessórios, preparação de veículos e soluções para expedições.
Presença política em destaque
O evento ganhou também uma forte dimensão política com a presença de figuras como o presidente Donald Trump, que utilizou o salão como palco para criticar a rapidez da imposição dos veículos elétricos e defender a indústria automóvel tradicional de Detroit.


