Audi é a primeira equipa a testar o carro de 2026
A nova equipa Audi foi a primeira a levar o seu monolugar para a pista. Na sexta-feira, a marca alemã testou o R26 no Circuito de Barcelona, num momento histórico que marca oficialmente a entrada da Audi na Fórmula 1 a partir de 2026. O projecto contará com os pilotos Gabriel Bortoleto (Brasil) e Nico Hülkenberg (Alemanha).
O carro surgiu com uma pintura de camuflagem, estratégia habitual para esconder detalhes aerodinâmicos. Tanto o experiente Hülkenberg como o estreante Bortoleto completaram os primeiros quilómetros oficiais do programa.
Teste de “parto”
A sessão teve carácter de dia de filmagem, limitada a 200 km, e serviu essencialmente para validar o funcionamento de todos os sistemas — motor, parte eléctrica, software e integração com o chassi — antes dos testes privados e coletivos agendados para este mês.
A Audi segue um cronograma agressivo para garantir fiabilidade. A apresentação oficial do carro, com pintura definitiva e nome formal da equipa, está marcada para 20 de Janeiro, em Berlim.
A equipa regressará a Barcelona para testes privados entre 26 e 30 de Janeiro, antes de viajar para o Bahrein em Fevereiro.

Primeiras impressões
O som do novo motor V6 turbo híbrido chamou bastante atenção dos especialistas presentes. Foi descrito como “agressivo e potente”, com um timbre mais agudo do que os V6 actuais, fruto da ausência do MGU-H e da nova calibração do turbo.
O motor da Audi é um projecto desenvolvido do zero no centro técnico de Neuburg, na Alemanha, e cumpre integralmente o regulamento da FIA para 2026, que estabelece uma divisão quase igualitária de potência entre o sistema de combustão e o sistema eléctrico.
Especificações Técnicas – Unidade de Potência (PU) 2026
1. Motor de Combustão Interna (ICE)
- Arquitectura: V6 1.6L turbo
- Combustível: 100% sustentável (neutro em carbono)
- Potência estimada: ~400 kW (cerca de 544 cv)
- Mudança-chave: fluxo de combustível reduzido para aumentar eficiência; a potência perdida na combustão será compensada pela parte eléctrica.
2. Sistema Híbrido e Eléctrico (ERS)
A maior revolução da nova PU:
- MGU-K: salto de 120 kW para 350 kW (aprox. 475 cv)
→ Cerca de 50% da potência total do carro passa a vir da parte eléctrica. - MGU-H: removido para simplificar a tecnologia e reduzir custos.
- Bateria: pode recuperar 8,5 MJ por volta, o dobro da geração anterior, permitindo uso mais agressivo do motor eléctrico.
3. Som e o novo “Manual Override”
Além do som mais agudo, os carros de 2026 introduzem o sistema Manual Override, substituto do conceito do DRS mecânico:
- O piloto poderá activar manualmente um “boost” eléctrico extra para ultrapassagens, desde que esteja dentro dos parâmetros de proximidade definidos pela FIA.
Comparativo Rápido
| Componente | Era Actual (até 2025) | Era 2026 (Audi e novas regras) |
|---|---|---|
| Potência Eléctrica | 120 kW (163 cv) | 350 kW (475 cv) |
| Combustível | 10% sustentável | 100% sustentável |
| MGU-H | Presente | Removido |
| Potência Total | ~1.000 cv | >1.000 cv (com mais torque eléctrico) |
A Audi é, até aqui, a única fabricante que está a desenvolver chassi e motor de forma totalmente integrada, com o chassi a ser produzido em Hinwil (Suíça) e o motor em Neuburg (Alemanha).

10.12.2024. Formula 1 Testing, Yas Marina Circuit, Abu Dhabi, Tuesday.
– www.xpbimages.com, EMail: requests@xpbimages.com © Copyright: Batchelor / XPB Images
Nada de tempos por volta
Como se tratou de um dia de filmagem, com pneus especiais e quilometragem limitada, a Audi não divulgou tempos. O objectivo foi exclusivamente validar sistemas e recolher dados.
Os tempos reais só começarão a ser conhecidos entre 26 e 30 de Janeiro, durante os testes privados em Barcelona, que reúnem todas as equipas.
Bortoleto e Hülkenberg eufóricos
Os dois pilotos partilharam imagens e comentários animados nas redes sociais. Bortoleto destacou a adaptação à entrega de potência do novo MGU-K de 350 kW, descrevendo-a como muito mais agressiva do que nos carros actuais.
A estrutura da nova Audi Revolut F1 Team segue um modelo de “liderança dual”, dividindo responsabilidades entre a área técnica e a área operacional de pista. A intenção é maximizar a sinergia entre a fábrica de motores (Alemanha) e a fábrica do chassi (Suíça).


